
A indústria cinematográfica de Hollywood tem os seus altos e baixos. Altos modestos e baixos colossais. Esta obra situa-se temporalmente num dos supracitados baixos, quando génios do dispêndio de celulóide resolveram que se deveria em primeiro lugar contratar o máximo de nomes sonantes possíveis, colocando em segundo plano o não muito necessário enredo.
Cameron Poe (Nicolas Cage) terminou o seu contrato com os Rangers e pretende iniciar uma família com a sua esposa (Monica Potter). Infelizmente, durante o seu reencontro três indivíduos severamente ébrios resolvem incomodar o casal o que leva a um conflito que é eficazmente resolvido por Cameron graças ao seu treino. Um dos indivíduos é ferido mortalmente e Poe é condenado a oito anos de prisão. Após cumprir a sua pena, Poe e o seu novo amigo presidiário Baby-O (Mykelti Williamson), talvez o criminoso mais afável do Mundo, entram numa aeronave destinada a transportar criminosos. Por obra do destino, os seus companheiros de viagem são apenas alguns dos assassinos, violadores e meliantes avulso mais perigosos do país. Evidentemente a ave de metal é guardada pelos oficiais mais inúteis da História e é facilmente controlada pelos grandiosos cérebros criminais. A trama intensifica-se quando Baby-O não possui os meios para injectar a insulina que o seu pobre metabolismo diabético tanto necessita, obrigando Poe a ir para além do seu limite para salvar o seu camarada. Acção, explosões, sotaques terríveis e diálogo doloroso nesta obra de arte que o vai deixar hipnotizado até ao último segundo (a descrição pode não corresponder à realidade).
Apesar do carácter quase anedótico da premissa, não se pode ignorar a originalidade da mesma, apesar da exploração deficiente do tema. A qualidade dos actores principais é, evidentemente, inquestionável (como se pode verificar pela elevada concentração de estrelas: Nicolas Cage, John Cusack, John Malkovich, Ving Rhames, Steve Buscemi, Danny Trejo e até o cómico Dave Chappelle) e estes parecem bastante entretidos com as suas partes, provavelmente pela lembrança do salário obsceno que certamente arrecadaram por tão simples encenação.
Dada a natureza da película, muito se pode perdoar no que toca a exageros da realidade. Ainda assim Con Air esforça-se por ir mais longe, tornando algumas cenas completamente ridículas. Durante a tomada de posse do avião, um agente infiltrado (José Zúñiga) tenta controlar a situação, que culmina num leve caso de morte para o próprio. Os prisioneiros vêem-se, um pouco mais adiante na trama, obrigados a trocar a farda de um dos guardas pelo traje prisional do falecido agente. Num caso realístico, os delinquentes deparar-se-iam com um leve problema, uma vez que a farda se ajustava perfeitamente ao agente que se encontrava numa forma invejável dificilmente encaixaria na pança do guarda de meia idade. Além do mais, tendo em conta que esta troca serviria como engodo a guardas prisionais não invisuais, torna-se estranho optar por uma farda com um buraco de bala coberto de sangue no peito. Dentro deste reino onde a realidade é barrada à entrada, o renomeado agente Duncan Malloy (Colm Meaney), ao invés do esperado, é uma caricatura, o agente idiota com ilusões de poder que apenas estorva e que, conjuntamente com Poe, desperdiça as inúmeras oportunidades de terminar a perseguição.
Algumas partes parecem inseridas no filme com o singular intuito de prolongar a nossa dor, como é o caso da visita bombástica à cela de Cyrus Grissom (John Malkovich), que não acrescenta absolutamente nada à história. Por vezes esta técnica é utilizada quando a película não tem a duração necessária para ser considerada uma longa-metragem e, logo, não tem a exposição pretendida. Este não é o caso uma vez que o filme exerce o seu poder durante quase duas horas, tornando estas cenas completamente desnecessárias.
O sotaque utilizado por Cage em conjunto com as fracas linhas de diálogo podem causar aneurismas e devem ser evitados ao máximo. A tentativa de inserção de alguma cultura e moral por detrás das razões dos criminosos é atroz e totalmente fora de contexto. Existem também inúmeras referências ao catolicismo sem razão aparente.
Apesar de todas as suas falhas, é um filme de acção decente que, quando visionado, não o deve ser com demasiada atenção.
Cameron Poe (Nicolas Cage) terminou o seu contrato com os Rangers e pretende iniciar uma família com a sua esposa (Monica Potter). Infelizmente, durante o seu reencontro três indivíduos severamente ébrios resolvem incomodar o casal o que leva a um conflito que é eficazmente resolvido por Cameron graças ao seu treino. Um dos indivíduos é ferido mortalmente e Poe é condenado a oito anos de prisão. Após cumprir a sua pena, Poe e o seu novo amigo presidiário Baby-O (Mykelti Williamson), talvez o criminoso mais afável do Mundo, entram numa aeronave destinada a transportar criminosos. Por obra do destino, os seus companheiros de viagem são apenas alguns dos assassinos, violadores e meliantes avulso mais perigosos do país. Evidentemente a ave de metal é guardada pelos oficiais mais inúteis da História e é facilmente controlada pelos grandiosos cérebros criminais. A trama intensifica-se quando Baby-O não possui os meios para injectar a insulina que o seu pobre metabolismo diabético tanto necessita, obrigando Poe a ir para além do seu limite para salvar o seu camarada. Acção, explosões, sotaques terríveis e diálogo doloroso nesta obra de arte que o vai deixar hipnotizado até ao último segundo (a descrição pode não corresponder à realidade).
Apesar do carácter quase anedótico da premissa, não se pode ignorar a originalidade da mesma, apesar da exploração deficiente do tema. A qualidade dos actores principais é, evidentemente, inquestionável (como se pode verificar pela elevada concentração de estrelas: Nicolas Cage, John Cusack, John Malkovich, Ving Rhames, Steve Buscemi, Danny Trejo e até o cómico Dave Chappelle) e estes parecem bastante entretidos com as suas partes, provavelmente pela lembrança do salário obsceno que certamente arrecadaram por tão simples encenação.
Dada a natureza da película, muito se pode perdoar no que toca a exageros da realidade. Ainda assim Con Air esforça-se por ir mais longe, tornando algumas cenas completamente ridículas. Durante a tomada de posse do avião, um agente infiltrado (José Zúñiga) tenta controlar a situação, que culmina num leve caso de morte para o próprio. Os prisioneiros vêem-se, um pouco mais adiante na trama, obrigados a trocar a farda de um dos guardas pelo traje prisional do falecido agente. Num caso realístico, os delinquentes deparar-se-iam com um leve problema, uma vez que a farda se ajustava perfeitamente ao agente que se encontrava numa forma invejável dificilmente encaixaria na pança do guarda de meia idade. Além do mais, tendo em conta que esta troca serviria como engodo a guardas prisionais não invisuais, torna-se estranho optar por uma farda com um buraco de bala coberto de sangue no peito. Dentro deste reino onde a realidade é barrada à entrada, o renomeado agente Duncan Malloy (Colm Meaney), ao invés do esperado, é uma caricatura, o agente idiota com ilusões de poder que apenas estorva e que, conjuntamente com Poe, desperdiça as inúmeras oportunidades de terminar a perseguição.
Algumas partes parecem inseridas no filme com o singular intuito de prolongar a nossa dor, como é o caso da visita bombástica à cela de Cyrus Grissom (John Malkovich), que não acrescenta absolutamente nada à história. Por vezes esta técnica é utilizada quando a película não tem a duração necessária para ser considerada uma longa-metragem e, logo, não tem a exposição pretendida. Este não é o caso uma vez que o filme exerce o seu poder durante quase duas horas, tornando estas cenas completamente desnecessárias.
O sotaque utilizado por Cage em conjunto com as fracas linhas de diálogo podem causar aneurismas e devem ser evitados ao máximo. A tentativa de inserção de alguma cultura e moral por detrás das razões dos criminosos é atroz e totalmente fora de contexto. Existem também inúmeras referências ao catolicismo sem razão aparente.
Apesar de todas as suas falhas, é um filme de acção decente que, quando visionado, não o deve ser com demasiada atenção.

1 comentários:
Um rico filme, para ver nos dias de férias, quando se tem défice de atenção. Eu acho perfeito, e quem me tira aquela voz arrastada e o magnífico enredo que não faz puxar pelo miolo, tira-me uma rica sesta de, no mínimo, duas horas.
Portanto, si a ti te gusta, a mi me encanta, e 12 é perfeito.
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