Animal Crackers (1930)


Traduzido de forma praticamente literal do musical da Broadway seu homónimo (e com os mesmos personagens protagonizados pelos mesmos actores, por isso mais uma versão filmada do que um homónimo), Animal Crackers chega ao grande ecrã durante a Grande Depressão.

O estilo de humor característico desta altura dos irmãos Marx foi a solução exacta para o cidadão americano comum reencontrar a sua gargalhada, com as suas incessantes piadas, trocadilhos e observações, balanceando com humor físico. A verdade é que as piadas já na altura estavam algo cansadas, mas ao ser bombardeado por dezenas por minuto e algumas alterações de piadas clássicas é díficil manter uma postura séria durante o visionamento desta obra.

A permissa do filme é algo simples, até porque o enredo é escasso e muitas vezes esquecido, entre as deambulações, paródias e rotinas cómicas dos quatro irmãos (bem, três, uma vez que um deles pouco aparece no ecrã). Fazer pouco sentido faz sentido neste filme, visto que até o próprio título nada tem a ver com o filme. É como que um conjunto de sketches ligados por uma fina e frágil linha de coerência. Mrs. Rittenhouse (Margaret Dumont) tenciona abrir as portas de sua mansão para um grande evento social no qual Capitão Jeffrey T. Spaulding (Groucho Marx) é o convidado de honra, de volta da sua expedição por África, pronto para contar as suas lendárias histórias de coragem que são provavelmente um tanto ou quanto exageradas. Existe também um quadro extremamente valioso exposto na casa para deleite dos convidados. A trama atinge o seu pico ao verificar-se que o quadro foi substituído por uma falsificação, após ter sido substituído por outra falsificação (esta mais fiel ao original). Cabe ao Capitão descobrir o paradeiro da obra de arte. O trabalho não é muito bem feito, constantemente interrompido por jogos de bridge e canções inacabadas por um par de músicos que por lá deambulam (Harpo e Chico Marx).

Esta película é, de facto, uma das melhores obras dos irmãos Marx, com o seu humor irreverente e cenas musicais vindas de lado nenhum, tempo comédico excelente, como o artista que recebe mais se não tocar, o homem que mata relógios e uma declaração de joelho no chão com as calças arregaçadas, enquanto declama as acções que deveria estar a realizar, como se estivesse a ler o guião.

Pontos negativos vão para a entrada de Spaulding, que pode ser considerada racista nos tempos que correm, ao chegar carregado por o que parece ser uma tribo de negros, mas passa algo despercebida com a inundação de piadas que o Capitão nos proporciona mal sai do seu veículo. Quem procura um filme com profundidade ou algo semelhante a um enredo necessita afastar-se o mais possível desta obra, assim como quem não domina minimamente a língua inglesa, uma vez que metade do humor é perdido na tradução dos trocadilhos. As transições onde por vezes cortam parte de um take é bastante visível, mas normal devido à idade da película. A arca pertecente a John Parker (Hal Thompson), o artista com problemas financeiros, é algo desnecessária e parece fora do carácter adoptado pelo filme.

No geral, é um bom filme que qualquer amante de comédia leve pode apreciar.

Cotação final:

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